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segunda-feira, 20 de maio de 2013

EXTINÇÃO DOS NEANDERTAIS




Olhos grandes podem ter levado à extinção dos neandertais

Olhos grandes podem ter levado à extinção dos neandertais



Um novo estudo britânico relaciona o desaparecimento do homem de Neandertal com o modo como o seu cérebro estava organizado. Mais informação visual, menores capacidades cognitivas. O novo estudo da universidade de Oxford e do Museu Nacional de História Natural de Londres defende a teoria da extinção do homem de Neandertal estar relacionada com o maior tamanho dos seus olhos.

Apesar do tamanho do seu cérebro ser similar ao do homem dos tempos modernos, a nova análise de fósseis de neandertais examinou o tamanho dos seus olhos, concluindo que por serem maiores o cérebro dedicava mais espaço e recursos à visão e menos ao processamento de informação.

A melhor visão era apropriada para as noites mais longas e escuras da época e regiões onde viveram, mas a falta de capacidades cognitivas pode tê-los tornado menos aptos para lidar com mudanças como a Idade do  Gelo. Capacidades que terão permitido aos homens dos tempos modernos criar roupas mais quentes e organizar-se em grupos sociais maiores.

Existiram durante 250 mil anos

As conclusões divulgadas na publicação científica "Proceedings of 
the Royal Society B" (de Ciências Biológicas), referem que os 
neandertais tinham "capacidades endocranianas significativamente 
menores", o que poderá ter levado à sua extinção há 28 mil anos.

Anteriores investigações analisaram o tamanho e forma do seu 
cérebro, mas não focaram as  diferenças no modo como este estava
organizado. Parente próximo do homem dos tempos modernos, 
considerado uma subespécie ou como uma espécie diferente do 
Homo Sapiens, o homem de Neandertal revelou, contudo, grandes 
capacidades de inteligência. Criou roupas e utensílios, utilizou o fogo
e enterrava os seus mortos com rituais. Existiu durante cerca de  250
mil anos e expandiu-se para fora da África, milhares de anos antes 
dos homens dos tempos modernos o terem feito.



Alexandre Costa

Ler mais:
http://expresso.sapo.pt/olhos-grandes-podem-ter-levado-a-extincao-dos-neandertais=f793508#ixzz2NZMuaZdK

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

PRIMITIVO COME CRU


Primitivo come cru
foto: Flickr/ NoIdentity – CC BY-NC-ND 2.0

      

Resultado de estudo brasileiro mostra que o desenvolvimento da habilidade de cozinhar teria sido decisivo para a evolução humana, por oferecer calorias para sustentar as necessidades diárias do metabolismo de um cérebro maior.


Estudo aponta papel limitador imposto pelas demandas metabólicas à evolução dos primatas e apresenta mecanismo inédito que explica o rápido aumento de tamanho do cérebro dos hominídeos de linhagem humana.

O que o homem tem que nenhum outro animal tem? Talvez um cérebro muito poderoso? Ou a capacidade de fala? Tudo isso pode ser verdade, mas foi possibilitado por algo mais fundamental: a habilidade de cozinhar. Pelo menos é o que aponta um estudo brasileiro publicado hoje na revista PNAS.

Comparando as necessidades metabólicas de diversas espécies de primatas, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro comprovaram que essas demandas representaram uma barreira para o desenvolvimento cerebral desses animais. 

A ingestão de alimentos cozidos pode ter sido o grande ‘pulo do gato’ evolutivo, que possibilitou o surgimento de cérebros maiores, como o nosso

A questão do tamanho do cérebro do homem tem intrigado a ciência há muito tempo. Em 2009,  um estudo do mesmo grupo responsável pela pesquisa atual derrubou o mito de que nosso cérebro teria um tamanho extraordinário. Ele concluiu que a proporção do cérebro humano em relação ao nosso corpo é semelhante à encontrada em primatas menores. Os resultados também mostraram que o cérebro do homem tem uma quantidade única de neurônios, cerca de 86 bilhões, mais que o de qualquer outro animal.

Essa revelação trouxe novas perguntas. Em especial, por que grandes primatas, como os gorilas, não obedecem a essa proporção e têm cérebros relativamente pequenos? Que fatores teriam limitado essa evolução? Essas foram algumas das motivações do estudo realizado pela bióloga Karina Fonseca-Azevedo em sua monografia de graduação, que gerou o artigo publicado hoje na revista PNAS.

Uma nova etapa do trabalho já está em andamento. Agora, em seu mestrado, Fonseca-Azevedo pretende utilizar o modelo desenvolvido para estudar outros ramos de mamíferos. A ideia é entender que tipos de limitações impediram que outras espécies conseguissem desenvolver cérebros com um número de neurônios comparável ao nosso.


Marcelo Garcia
Ciência Hoje On-line
http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/10/primitivo-come-cru

sábado, 11 de agosto de 2012

UM FELIZ DIA DO PAPAI




ORIGEM
Dizem que o primeiro a comemorar o Dia dos Pais foi um jovem chamado Elmesu, na Babilônia, há mais de 4.000 anos. Ele teria esculpido em argila um cartão para seu pai. Boa idéia, não? Mas a instituição de uma data para comemorar esse dia todos os anos é bem mais recente...

Em 1909, a norte-americana Sonora Louise Smart Dodd, filha do veterano da Guerra Civil  John Smart, quis homenagear seu pai. Ele havia criado sozinho seis filhos, depois que sua mulher morreu. Sonora Louise escreveu às autoridades, que concordaram com a idéia. A rosa foi escolhida para simbolizar essa homenagem: vermelha para os pais vivos e branca para os falecidos.

O primeiro Dia dos Pais foi comemorado no dia 19 de junho de 1910. Da pequena cidade de Spokane, nos Estados Unidos, a idéia passou para o Estado de Washington e de lá para todo o país. Em 1972, o presidente Richard Nixon assinou uma lei oficializando a comemoração. Nos Estados Unidos, porém, o Dia dos Pais é comemorado todo terceiro domingo de junho.

No BRASIL, o Dia dos Pais é comemorado no segundo domingo de agosto. O publicitário Sylvio Bhering, inspirado pela comemoração norte-americana, propôs em 1953 a celebração do Dia dos Pais. O primeiro Dia dos Pais foi em 14 de agosto de 1953, dia de São Joaquim, patriarca da família Bhering.

A partir de então, comemoramos o Dia dos Pais todo segundo domingo do mês de agosto. No Brasil a homenagem envolve vários costumes e tradições. Muitos filhos comemoram com uma refeição em família. Ou ajudam os pais em alguma tarefa. As crianças costumam confeccionar lembrancinhas ou escrever cartões, seguindo o exemplo do jovem Elmesu.

E vale lembrar também: pai não é só o pai de verdade. Pai é aquele que gosta da gente, que cuida, dá carinho, apoio, e está sempre do nosso lado. É por isso que às vezes quem ganha uma homenagem é o padrasto, o tio, ou um amigo da família.

Texto e foto Internet
http://educacao.uol.com.br/datas-comemorativas/ult1688u20.jhtm

domingo, 29 de abril de 2012

EVOLUÇÃO NATURAL



        A necessidade de agarrar e transportar alimentos «raros e valiosos» terá levado os antepassados da espécie humana a tornarem-se bípedes, libertando as mãos e os braços para outras actividades e permitindo o desenvolvimento do cérebro, revelou um estudo.

        A investigação foi desenvolvida por um grupo de cientistas das universidades de Coimbra, Cambridge e Oxford, e começou por uma observação de chimpanzés na Guiné Conacri que detectou a adopção frequente da posição bípede (caminhar em dois pés) quando pretendiam carregar alimentos escassos e de que gostavam especialmente.

        Uma das cientistas que participou no estudo, Eugénia Cunha, da Universidade de Coimbra, explicou à agência Lusa que «quando se trata de alimentos mais raros e mais difíceis de conseguir, adoptavam mais frequentemente a posição bípede para conseguirem transportar o máximo possível, no mais curto espaço de tempo».


Henrique ANTUNES FERREIRA






Henrique Antunes Ferreira, jornalista/escritor
Lisboa, Estremadura, Portugal
Dos livros escritos, o primeiro de ficção (Abril 2008): «Morte na Picada», contos da guerra colonial em Angola 1966/1968.

Por Antunes Ferreira, 27-04-2012
http://sexoforte.net/mulher/artigos.php?id=4390&w=agarrar_comida_fez_o_homem_levantar_se
Imagem e texto Internet

LUCY FOI DESTRONADA - Novos Achados


Antunes Ferreira

       Os nossos ancestrais bíblicos estão cada vez mais descredibilizados. O casal que foi alegadamente expulso do Paraíso terreal ...    entrou em derrapagem total, caiu no plano inclinado, não devido à insinuosa mas perigosa serpente, muito menos da maçã, meio utilizado para o pecado original ter homiziado Adão e Eva.

       Já não bastava ter aparecido um tal Darwin a defender que os homens (e, naturalmente, as mulheres) descendiam dos macacos (e, obviamente das macacas); outros apóstatas se lhe seguiram ...

       De provocação em provocação, cientistas de renome, em especial os arqueólogos antropólogos, vá de desencantar ossos das mais diversas dimensões e feitios, em cata dos seres que eram realmente os avoengos desta gente que nós somos. E, acredite-se ou não, provocaram uma verdadeira revolução, sobretudo a partir do momento em começaram a tentar descobrir a altura mais ou menos precisa em que os símios passaram a hominídeos, ainda sem usar gravata, muito menos Ipads. 

       Estava-se nisto quando a revista Science de anteontem publicou um artigo naturalmente científico em que era dada ao Mundo a novidade de que o possível ancestral do gênero homo era o Australopithecus sediba, sujeito que se balançava nas árvores como um chimpanzé, mas tinha dedos longos e hábeis para fabricar ferramentas, além de pés híbridos para caminhar erecto.

       Até agora, acreditava-se que o primeiro fabricante de tais apetrechos fosse o Homo habilis. Os estudos de 21 ossos de mão fossilizados encontrados na Tanzânia, que datam de 1,75 milhão de anos atrás, a isso tinham levado. No entanto – as adversativas são lixadas - um exame mais pormenorizado de dois esqueletos parciais fossilizados do citado Australopithecus sediba descobertos na África do Sul em 2008, sugerem que estas criaturas, que habitavam o planeta há 1,9 milhão de anos, elaboravam ferramentas e… quiçá até mesmo antes. 

     Após analisar a mão mais completa encontrada até agora, os especialistas concluíram que o Australopithecus sediba tinha um polegar extra-longo e dedos fortes, que teria usado para fabricar ferramentas, apesar de ainda ter um cérebro pequeno, similar ao do macaco. E não vale a pena sublinhar que se tratava de uma fêmea, porque as defensoras da igualdade plena ainda me levavam al paredón.

      Pelos vistos, o Sr. Charles Robert Darwin não errara muito quando em meados do século XIX convenceu a comunidade científica da ocorrência da evolução e enunciou a teoria para explicar como ela se dá por meio da seleção natural e sexual. Pelo naturalista britânico fora dada a primeira grande machadada no casal pecador. Agora, os paleoantropólogos até já falam em fermentação evolutiva. A Lucy foi destronada.

        Está-se, assim, perante o exemplo mais gritante do que é a cena com milhões de anos, que preparou a famosa macacada, protagonizada pelos seres humanos.








Henrique Antunes Ferreira, jornalista/escritor
Lisboa, Estremadura, Portugal
Dos livros escritos, o primeiro de ficção (Abril 2008): «Morte na Picada», contos da guerra colonial em Angola 1966/1968.

Por Antunes Ferreira, 11092011
http://sexoforte.net/mulher/artigos.php?id=3648&w=a_macacada
http://m.publico.pt/Detail/1511032
http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/australopithecus-sediba-pode-ser-na-verdade-ancestral-direto-do-genero-homo

sábado, 28 de abril de 2012

LUCY: Espécie já andava em pé



Antunes Ferreira
Reconstrução a partir dos ossos encontrados


Um osso de Australopitecos encontrado na Etiópia confirma a teoria de que a espécie já andava em pé. A descoberta permite concluir que Lucy e os seus semelhantes passavam tempo de pé, ainda que andassem nas árvores.
O osso do pé com cerca de 3,2 milhões de anos encontrado em Hadar, na Etiópia, pertence à espécie semelhante aos humanos Australopithecus afarensis e apresenta uma forma em arco, fundamental para as deslocações bípedes.

«Trata-se de uma pista sobre a anatomia do pé e a sua função», explicou o director do Instituto das Origens do Homem, da Universidade do Estado do Arizona, nos Estados Unidos, William Kimbel. O especialista adiantou que «é o quarto osso metatarso, que se localiza na parte média do pé e que ajuda a suportar os desenvolvidos arcos que vemos na sola dos pés dos homens modernos. O osso que foi recuperado em Hadar tem todas as marcas da forma e função do pé humano moderno».

Os paleocientistas sabiam que o Australopithecus afarensis passava a maior parte do seu tempo de pé, desde 1974 quando examinaram o primeiro esqueleto da espécie, também descoberto perto de Hadar, conhecido como Lucy.

Reconstrução do esqueleto de "Lucy"
No entanto, a ausência de importantes ossos dos pés em quase todos os espécimes descobertos impedia os investigadores de compreenderem quanto tempo Lucy e os seus semelhantes passavam de pé, relativamente ao tempo que passavam nas árvores.

Esta forma do pé permitiu que perceber que o Australopithecus afarensis se movimentava no terreno muito mais rapidamente, o que aumentava o acesso a outras fontes de alimento.

No entanto, os pés humanos são muito diferentes destes e de outros primatas. Apresentam dois arcos, um longitudinal e outro transversal, que incluem os ossos do meio do pé e são suportados por músculos nas solas dos pés.

Ao comentar esta descoberta, o professor Chris Stringer, um paleoantropólogo do Museu de História Natural de Londres, acentuou que os cientistas estão gradualmente a entender a posição de Lucy na história da origem do Homem.









Henrique Antunes Ferreira, jornalista/escritor
Lisboa, Estremadura, Portugal
Dos livros escritos, o primeiro de ficção (Abril 2008): «Morte na Picada», contos da guerra colonial em Angola 1966/1968.




Por Antunes Ferreira , 14022011
http://sexoforte.net/mulher/artigos.php?id=2685&w=lucy_andava_em_pe

http://darwinismo.wordpress.com/2011/03/01/ciencia-confirma-que-lucy-andava-como-o-homem-actual/
Texto e ilustração Internet



LUCY: A mais antiga antepassada conhecida



Hominídeos usavam utensílios há 3,4 milhões de anos

Lucy

      Os antepassados do homem moderno utilizavam instrumentos de pedra há 3,4 milhões de anos, uma descoberta que muda a visão da ciência sobre Lucy, a avó mais famosa da humanidade, que viveu nessa época. A descoberta, que faz recuar em mais de 800 mil anos a utilização de instrumentos por parte dos antepassados do Homo sapiens, foi publicada na revista Nature.

    O Homo habilis, que viveu há 2,5 milhões de anos, foi assim chamado porque usou instrumentos. Isso tornou-se evidente quando se descobriu a espécie. Mas, mais recentemente, o achado de ossos de mamíferos com marcas de cortes junto a outros ossos de Australopithecus afarensis (a espécie de Lucy), em Gona, na Etiópia, pôs os antropólogos a pensar. A ligação directa entre ambos os achados acabou, no entanto, por não poder ser estabelecida, pois apareceram também, nas mesmas escavações, fósseis do gênero homo. Estes antepassados mais directos poderiam ter sido os utilizadores de instrumentos de pedra naquele contexto. 

    Agora, uma equipa coordenada pelo paleoantropólogo Zeresenay Alemseged, da Academia das Ciências da Califórnia (EUA), fez um achado na região de Afar, mais uma vez na Etiópia, que altera toda a história.

    De facto, os investigadores encontraram ossos de um grande mamífero, datados de há 3,4 milhões de anos, com marcas inequívocas de terem sido cortados por instrumentos de pedra. O objectivo teria sido retirar a carne do osso e também a medula óssea no interior para consumo, segundo os investigadores.

    Esta era a prova que faltava para ficar estabelecido que os Australopithecus afarensis eram utilizadores de instrumentos de pedra.

    «A partir de agora, quando imaginamos Lucy caminhando em busca de alimento no Leste africano, vemo-la pela primeira vez com um utensílio de pedra na mão, à procura de carne», afirmou Shannon McPherron, do Instituto Max Planck, na Alemanha, e co-autor do estudo.

    Para o líder da equipa, Zeresenay Alemseged, «esta descoberta faz recuar muito o momento a partir do qual os nossos antepassados mudaram as regras do jogo». E isso, disse Alemseged, permitiu-lhes explorar «novos tipos de alimentação e novos territórios».







Henrique Antunes Ferreira, jornalista/escritor
Lisboa, Estremadura, Portugal
Dos livros escritos, o primeiro de ficção (Abril 2008): «Morte na Picada», contos da guerra colonial em Angola 1966/1968.



Antunes Ferreira, publicado em 23082010.


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

LEONARDO BOFF - A FALTA QUE O RESPEITO FAZ

Leonardo Boff
     
   A cultura moderna, desde os seus albores no século XVI, está assentada sobre uma brutal falta de respeito. Primeiro, para com a natureza, tratada como um torturador trata a sua vítima com o propósito de arrancar-lhe todos os segredos (Bacon). Depois, para com as populações originárias da América Latina. Em sua “Brevíssima Relação da Destruição das Indias”(1562) conta Bartolomé de las Casas, como testemunho ocular, que os espanhóis “em apenas 48 anos ocuparam uma extensão maior que o comprimento e a largura de toda a Europa, e uma parte da Ásia, roubando e usurpando tudo com crueldade, injustiça e tirania, havendo sido mortas e destruídas vinte milhões de almas de um país que tínhamos visto cheio de gente e de gente tão humana”(Décima Réplica). Em seguida, escravizou milhões de africanos trazidos para as Américas e negociados como “peças” no mercado e consumidos como carvão na produção.
Seria longa a ladainha dos desrespeitos de nossa cultura, culminando nos campos de extermínio nazista de milhões de judeus, de ciganos e de outros considerados inferiores.
Sabemos que uma sociedade só se constrói e dá um salto para relações minimamente humanas quando instaura o respeito de uns para com os outros. O respeito, como o mostrou bem Winnicott, nasce no seio da família, especialmente da figura do pai, responsável pela passagem do mundo do eu para o mundo dos outros que emergem como o primeiro limite a ser respeitado. Um dos critérios de uma cultura é o grau de respeito e de autolimitação que seus membros se impõem e observam. Surge, então, a justa medida, sinônimo de justiça. Rompidos os limites, vigora o desrespeito e a imposição sobre os demais. Respeito supõe reconhecer o outro como outro e seu valor intrínseco seja pessoas ou qualquer outro ser.
Dentre as muitas crises atuais, a falta generalizada de respeito é seguramente uma das mais graves. O desrespeito campeia em todas as instâncias da vida individual, familiar, social e internacional. Por esta razão, o pensador búlgaro-francês Tzvetan Todorov em seu recente livro “O medo dos bárbaros”(Vozes 2010) adverte que se não superarmos o medo e o ressentimento e não assumirmos a responsabilidade coletiva e o respeito universal não teremos como proteger nosso frágil planeta e a vida na Terra já ameaçada.
O tema do respeito nos remete a Albert Schweitzer (1875-1965), prêmio Nobel da Paz de 1952. Da Alsácia, era um dos mais eminentes teólogos de seu tempo. Seu livro “A história da pesquisa sobre a vida de Jesus” é um clássico por mostrar que não se pode escrever cientificamente uma biografia de Jesus. Os evangelhos contém história mas não são livros históricos. São teologias que usam fatos históricos e narrativas com o objetivo de mostrar a significação de Jesus para a salvação do mundo. Por isso, sabemos pouco do real Jesus de Nazaré. Schweitzer comprendeu: histórico mesmo é o Sermão da Montanha e importa vivê-lo. Abandonou a cátedra de teologia, deixou de dar concertos de Bach (era um de seus melhores intérpretes) e se inscreveu na faculdade de medicina. Formado, foi a Lambarene no Gabão, na Africa, para fundar um hospital e servir a hansenianos. E ai trabalhou, dentro das maiores limitações, por todo o resto de sua vida.
Confessa explicitamente:”o que precisamos não é enviar para lá missionários que queiram converter os africanos mas pessoas que se disponham a fazer para os pobres o que deve ser feito, caso o Sermão da Montanha e as palavras de Jesus possuam algum sentido. O que importa mesmo é, tornar-se um simples ser humano que, no espírito de Jesus, faz alguma coisa, por pequena que seja”.
No meio de seus afazares de médico, encontrou tempo para escrever. Seu principal livro é:”Respeito diante da vida” que ele colocou como o eixo articulador de toda ética. “O bem”, diz ele, “consiste em respeitar, conservar e elevar a vida até o seu máximo valor; o mal, em desrespeitar, destruir e impedir a vida de se desenvolver”. E conclui:”quando o ser humano aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante; a grande tragédia da vida é o que morre dentro do homem enquanto ele vive”.
Como é urgente ouvir e viver esta mensagem nos dias sombrios que a humanidade está atravessando

Leonardo Boff é autor de “Convivência, Respeito, Tolerância”,Vozes 2006

*Publicado no Jornal Folha do Povo em 30082011

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

LYA LUFT - SETENTA ANOS, POR QUE NÃO?

                                       

Lya Luft
          Acho essa coisa da idade fascinante: tem a ver com o modo como lidamos com a vida.


         Se a gente a considera uma ladeira que desce a partir da primeira ruga, ou do começo de barriguinha, então viver é de certa forma uma desgraceira que acaba na morte.

       Desse ponto de vista, a vida passa a ser uma doença crônica de prognóstico sombrio.

         Nessa festa sem graça, quem fica animado?
Quem não se amargura?

       O tempo me intriga, como tantas coisas, desde quando eu tinha uns 5 anos.
        Quando esta coluna for publicada, mais ou menos por aqueles dias, estarei fazendo 70.
       Primeiro, há meses, pensei numa grande festa, eu que sou avessa a badalações e gosto de grupos bem pequenos.

        Mas pensei: bem, 70 vale a pena!

      Aos poucos fui percebendo que hoje em dia fazer 70 anos é uma banalidade.

       Vou reunir filhos e pouquíssimos amigos e fazer aquela festona nos 80. Ou 90.


       Pois se minhas avós eram damas idosas aos 50, sempre de livro na mão lendo na poltrona junto à janela, com vestidos discretíssimos, pretos de florzinha branca (ou, em horas mais festivas, minúsculas flores ou bolinhas coloridas), hoje aos 70 estamos fazendo projetos, viajando (pode ser simplesmente à cidade vizinha para visitar uma amiga), indo ao teatro e ao cinema, indo a restaurante (pode ser o de quilo, ali na esquina), eventualmente namorando ou casando de novo. Ou dando risada à toa com os netos e fazendo uma excursão com os filhos.
      Tudo isso sem esquecer a universidade, ou aprender a ler, ou visitar pela primeira vez uma galeria de arte, ou comer sorvete na calçada batendo papo com alguma nova amiga.


       Outro dia minha neta de quase 10 anos me disse:

     "Você é a pessoa mais divertida que conheço, é a única avó do mundo que sai para comprar mamão e volta com um buldogue".


       Era verdade.
      Se sou tão divertida não sei, mas gosto que me vejam não como a chata que se queixa, reclama e cobra, mas como aquela que de verdade vai comprar a fruta de que o marido mais gosta, anda com vontade de ter de novo um cachorro e entra na loja quase ao lado do mercado.


      Por um acaso singular, pois não são cachorros muito comuns, ali há um filhotinho de buldogue inglês que voltou comigo para casa em lugar da fruta.  Foi batizada de Emily e virou mais uma alegria.


      E por que não?
     Por que a passagem do tempo deveria nos tornar mais rígidas, mais chatas, mais queixosas, mais intolerantes, espantalhos dos afetos e da alegria?

    "Why be normal?", dizia o adesivo que amigos meus mandaram fazer há muitos anos para colocarmos em nossos carros só pela diversão, pois no fundo não queria dizer nada além disso: em nossas vidas atribuladas, cheias de compromissos, trabalho, pouco dinheiro, cada um com seus ônus e bônus, a gente podia cometer essa transgressão tão inocente e engraçada, de ter aquele adesivo no carro.

     Não precisamos ser tão incrivelmente sérios, cobrar tanto de nós, dos outros e da vida, críticos o tempo todo, vendo só o lado mais feio do mundo. Das pessoas. Da própria família. Dos amigos.

     Se formos os eternos acusadores, acabaremos com um gosto amargo na boca: o amargor de nossas próprias palavras e sentimentos.
Se não soubermos rir, se tivermos desaprendido como dar uma boa risada, ficaremos com a cara hirta das máscaras das cirurgias exageradas, dos remendos e intervenções para manter ou recuperar a "beleza".


      A alma tem suas dores, e para se curar necessita de projetos e afetos. Precisa acreditar em alguma coisa.


        O projeto pode ser comprar um vaso de flor e botar na janela ou na mesa, para contemplarmos beleza. Pode ser o telefonema para o velho amigo enfermo. Pode ser a reconciliação com o filho que nos magoou, ou com o pai que relegamos, quando não nos podia mais sustentar.
        
        O afeto pode incluir uma pequena buldogue chamada Emily, para alegrar ainda mais a casa, as pessoas, sobretudo as crianças, que estão sempre por aqui, o maior presente de uma vida de apenas 70 anos.


* Texto e Ilustrações da Internet
   www.velhosamigos.com.br