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terça-feira, 2 de abril de 2013

AS ROLINHAS



Aquele casal de rolinhas,
tranquilo, manso e trigueiro,
passa o dia arrulhando
nos galhos do marmeleiro.

Inveja-os meu coração
quando à tarde eles descansam
às margens do ribeirão:
não têm problemas, não pensam.

Se um pouco ele se afasta
com um pio triste ela o chama,
com ele, porém, não se agasta,
pois ele somente a ama.

Sabe que mesmo à distância
ser-lhe á ele sempre leal:
em nenhuma circunstância
viu-se uma ave infiel.

Devíamos os homens, portanto,
seguir esse bom exemplo
das rolinhas, tão unidas, no entanto,
não foram ao juiz nem ao templo.










Marina Rezende,2004,
Assim Como o Vinho
                                                                                                                                                                     





Imagem dos pássaros: www.megaimagens.com

terça-feira, 19 de março de 2013

A UM CERTO PILOTO



Em toda sua vida
você esteve de partida.
  E chegando ...
E partindo ...
Foi sua vida fluindo.
Agora, você não sabe mais ficar.
Tem sempre que haver um lugar
pra você partir
e pra voltar.

Vai amor, outras paragens
conhecer.
É a grande motivação
do seu viver.
Aqui ficarei esperando
até que o ruido de um certo motor
roncando
ressoe em meu coração
avisando
que você, novamente,
está chegando!...












Marina Rezende,
Assim como o vinho, 2004.




Imagem do avião retirada da Internet.

segunda-feira, 18 de março de 2013

NOSSA ESTÓRIA



Andava só pela vida
muito triste e deprimida.
De repente eu o vi:
um "pão" de cabeça branca
com uma fisionomia franca
dando "sopa" por alí.

Confesso a quem me acredita:
Vê-lo só, no acampamento, 
ouvindo música erudita,
despertou meu sentimento.
E a partir de tal momento
aquela figura bonita
ocupou meu pensamento.

Foi recíproca, eu creio,
essa primeira impressão, 
pois ele arranjou logo um meio
de prender minha atenção.
E, assim, "tecendo os laços"
levou-me a visitar
seu trailler a poucos passos.
Convidou-me para jantar.

E para a estória encurtar:
Hoje acordo em seus braços,
voltei a rir e amar.











Marina Rezende,
Assim Como o Vinho, 2004.




Paisagem do casal acima retirada da Internet.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

UMA DÚVIDA CRUEL



Uma dúvida cruel,
Ou coisa de gente doida?
- Disse alguém com uma voz sábia:
"Prá uma vida ser completa
Temos que realizar
quatro coisas bem seletas
que passo a enumerar:
- Ter um filho;
- Construir uma casa;
- Um livro escrever;
- Uma árvore plantar."

Aos setenta fiz minha casa.
Aos oitenta meu livro lancei.
E aos noventa?
Como vou comemorar?
Começo a me preocupar:
Dar à luz a mais um filho
Ou mais árvores plantar?











Marina Rezende, 
Assim Como o Vinho, 2004.





 Ilustração flores: Internet

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

NOSSA PRAÇA



O chão atapetado com as pétalas amarelas das acácias; os pássaros cantando os seus amores; as flores enchendo nossos olhos de beleza e o ar com seu perfume; a brisa acariciando nossa pele. Casais cheios de ternura; crianças astuciando travessuras. Há alegria envolvendo o ambiente ...
Eis nossa praça num dia de primavera.

Tarde violenta de céu cinzento. Folhas caindo e rolando pelo chão ao sopro do vento. Pássaros assustados buscando seus ninhos apressados, antes da tempestade. Casais rápidos retornando e babás recolhendo aflitas os brinquedos das crianças ...
É a nossa praça num dia de verão, tempestuoso.


Ainda há perfume, ainda há casais, ainda há pássaros e crianças, mas paira no ar uma sutil melancolia. Aposentados jogam dama ou baralho nos bancos de pedras e comentam o passado. Folhas secas estalam sob nossos pés. Filhotes piam nos ninhos chamando seus pais dedicados agora, exclusivamente, a satisfazerem a voracidade de seus rebentos ...
É o outono que chega na praça. 


Galhos contorcidos são pouco a pouco despojados de suas últimas folhas tornando-se esqueléticos e lúgubres, dentro da noite tempestuosa e fria ...
O inverno chegou e a praça ficou vazia.


 








Marina Rezende, 
Assim Como o Vinho, 2004.



Ilustração:
Wilma Barsotti - Técnica: Acrilica sobre tela 46x36cm, Ano 2009
 http://wilmabarsotti.blogspot.com.br/2009/12/o-mesmo-banco-mesma-praca.html



sexta-feira, 25 de maio de 2012

FILOSOFANDO



"Como o Livro"

Ai quem me dera ser livro!
Para ele não há tempo nem espaço.
Transpor serras, 
transpor mares,
em novas línguas expressar-me.
Introduzir-me nos lares
de muitas vidas privar.
Levando a todos um abraço
vou apertando os laços
fraternos de grande amizade.
Pois meu amor é tão grande
que abarca a humanidade.


"Travessia"

Na travessia da vida
Tu fazes parte de mim:
És como o ar que respiro
És como o alimento que como.
És o líquido que eu bebo
És o sonho do meu sono.


"Mãos Frias"

Sempre que estou a teu lado
fico deveras contente.
Os lábios ficam calados,
o sangue fica fervente,
os dedos ficam gelados,
o coração saliente.












Marina Rezende, 
Assim Como o Vinho, 2004.


Ilustração Internet.




terça-feira, 8 de maio de 2012

À MINHA FILHA ZINDA


A vida, minha filha,
é luta.
É lhe, pois,  natural o revés.
Vida fácil, de gozo,
refuta,
e terás a vitória a teus pés.

Não te deixes fácil abater
por nenhum desazo da sorte;
Isso é um desafio da morte.
Não recue.
Dispõe-te a vencer!

A sorte é amiga ao acaso,
pois se a alguém ela sempre bafeja,
E, num lapso
a esse mesmo faltar,
a esse alguém ela há de matar,
pois àquele não lhe foi dada
a força para lutar.
Tu és jovem e se te parece,
às vezes, tão rude o viver,
não te curves, minha filha.
Reaja !!!
O inimigo quer-te
Abater.

Tome como exemplo os bravos
E deles terás o que aprender;
dos fracos repila os conselhos
e o triunfo hás de merecer.

Só aos fortes, aos bravos e heróis,
é lhes dada a vitória final.
Quero ver-te, filha minha,
entre eles,
no comando,
na meta triunfal.
Lembra-te,
assim eu te quis:
Lutando!
Vibrando!
Vencendo!
E sendo para sempre feliz!












Marina Rezende,
Assim Como o Vinho, 2004.


Ilustração Internet 

terça-feira, 10 de abril de 2012

SENTIMENTAL



Hoje, sou toda de cristal:
a mesma fragilidade.
Há uma onda de ternura.
Há uma crise sentimental.
Ao meu lado quero um Homem!
Com a grandeza de um rei!
Quero sentir-me rainha!
E, se entre as veleidades
eu desejar ter a lua,
dir-me-á: "pois será tua,
aos teus pés eu pô-la-ei"!










Marina Rezende, 
Assim Como o Vinho, 2004


 Ilustração Internet

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

AS ESTÓRIAS DE VOVÓ

         
O GANSO

       
     Era após o jantar, enquanto lá fora anoitecia, que sentávamos nos bancos de madeira à volta da grande mesa e ficávamos ouvindo as estórias da vovó. 
     Naquela noite chuvosa ela contou-nos a epopeia do ganso.     
            
     "Havia lá na fazenda um ganso solitário e um pouco estranho, porém muito generoso e simpático.
         Havia também uma mamãe-pata incompetente e doidivana que gostava de aventuras e distrações, sem a menor vocação maternal.
        Queria  continuar a mesma vida livre de "mocinha", a passear pelos matos, atrás do papai-pato.
          Os patinhos corriam para alcançá-la, porém, ela não lhes dava atenção, e, no final de cada excursão dessas a ninhada voltava desfalcada de alguns filhotes.
            Irritado com o comportamento de mamãe-pata, o nosso ganso tomou a decisão de adotar os infelizes inocentinhos e, usurpou, sem cerimônia, o direito de criá-los.
Vovó contando histórias
            Enxotava com bicadas violentas a mamãe-pata, todas as vezes que ela tentava se aproximar dos filhos. Daí por diante passou a tratar dos patinhos com uma dedicação comovente.
           Sempre cuidadoso levava-os  a passear em lugares limpos e saudáveis defendendo-os de todos os perigos.
           Á noitinha, conduzia-os para debaixo da casa da fazenda onde os deixava seguros e agasalhados. Só então, seguia para o galinheiro onde se acostumara a dormir no seu canto.
            Pela manhã, bem cedo, já estava ele à testa de sua turminha, frente à portinhola da cozinha, grasnando pedindo comida.  Uma vez alimentados lá ia ele todo enfatuado com sua  ninhada muito cônscio de suas responsabilidades.
             Mamãe-pata até que gostou.
         Passado algum tempo os patinhos cresceram e tornaram-se independentes.
         Eis que, certo dia, aparece no terreiro uma galinha acompanhada com sua ninhada de pintinhos; não é que nosso ganso cismou de criar aqueles pintinhos também!?...
            Só que dessa vez se deu mal. A galinha era mãe dedicada e amorosa e se enfezou de tal modo contra o ganso que o venceu com suas bicadas e esporadas, botando-o para correr.
           Desde esse dia ele ficou muito triste e cada vez mais solitário.
          Algum tempo depois - parece até ironia, mas é a pura verdade - o nosso herói apareceu afogado no tanque de lavar café que hoje serve de piscina".


          Os garotos ficaram bastante impressionados com o "caso", emocionaram-se com a má sorte do ganso. Fizeram perguntas e estranharam principalmente, o fato de um ganso morrer afogado, por quanto sabiam que os gansos, como os patos, adoram água e são exímios nadadores.
          Vovó após divertir-se um pouco com as reações infantis, explicou que, não só o ganso, mas outros patos também haviam tido o mesmo fim.
            O acidente se devera ao fato de estar o tanque com água apenas até ao meio de sua altura. As aves uma vez dentro, não tinham como sair e acabavam morrendo de fome e de cansaço pelo esforço para se salvarem.
            Nessa época não havia ninguém na fazenda e os campeiros davam atenção apenas ao gado, não se importando com os outros animais e aves do terreiro do casarão.
            Os meninos já estavam com sono e vovó mandou-nos escovar os dentes e ir ao banheiro, pois já estava na hora de dormir; pedimos mais "casos" e ela prometeu-nos  outros para o dia seguinte à mesma hora.
            Obedecemos e meia hora depois a casa se encontrava no mais completo silêncio.


*Assim Como o Vinho, Marina Rezende, 2004. 
  Ilustração do ganso retirada da Internet.
 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

AS BORBOLETAS



São borboletas
de variadas cores,
sempre aos pares,
voluteiam dançando
e beijando,
as flores
do meu jardim.

São rosas, violetas,
são muitos odores
esparso nos ares,
E elas sorrindo
e se exibindo,
fazem a festa
só para mim.












Marina Rezende,
Assim Como o Vinho, 2004.



Internet: Ilustração das borboletas

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

SAUDADE

Hernane e Marina Rezende
SORRIA

No fundo do meu coração
Há um profundo negror
De tudo que a vida doeu.
Não vou lá.
Prefiro ficar à tona
sob a luz das estrelas
Que meu sorriso acendeu.
Se há noite em teu coração,
Sorria!
Assim vais acender
Estrelas na escuridão.




APELO A DEUS 

A principio foi uma luta a dois.
Mas tudo mudou sete anos depois:
No ardor da refrega inane ele tombou.
O posto assumi. E só, combati.
E após anos dessa luta inglória
que são séculos para mim,
Eis-me, Senhor, aqui,
A teus pés,
Quase a sucumbir!

Venha de lá teu poderoso auxílio,
E te apiedes, ao menos Tu, meu Deus,
de tua filha que cansada está
de palmo a palmo o dia conquistar.
Não tanto por mim,
mas, por meus filhos, sim,
que são inocentes
e sofrer não devem,
destino triste assim.


SAUDADE

Sabe-o melhor quem padece
a dor de uma saudade.
Tudo no mundo obedece
Lei de relatividade.

Prá quem tem no coração
Uma ausência, uma saudade,
uma semana é um milênio,
Um mês, uma eternidade!

Mas prá sanar tal tormento
Dos amados filhos amantes
Une-os Deus em pensamento
Mesmo com os corpos distantes.











Marina Rezende
Assim Como o Vinho, 2004.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

BUCÓLICAS



BUCÓLICAS I

Só quem pelos campos andou
e nos campos se criou,
e as plantas viu crescer,
vai o poeta entender.
Diz o poeta:
Escute a fala do silêncio!...
Ouça a semente germinar!...
Aspire o perfume do sereno,
nos campos, em noite de luar.
Esse misterioso perfume
do sereno ao luar,
é o sereno com ciúme
da lua, por se mostrar. 


BUCÓLICAS II

Feliz de quem pode,
sentindo
o poema da natureza,
ver graça num passarinho
saltitando
ligeiro de galho em galho.
Sentir poesia nas águas
marulhando
sob o denso do arvoredo.
Ver arte no ramo verde
debruçando-se
sobre as águas do riacho.
Sentir o odor do sereno
perfumando
as noites de lua cheia...
Ouvir o silêncio profundo
falando
dos mistérios da solidão.
Fitar o céu estrelado
pensando,
o olhar perdido à distância,
na grandeza infinita de Deus
criando
a beleza das estrelas nos céus.











Marina Rezende
Assim Como o Vinho, 2004.  

domingo, 8 de janeiro de 2012

MOMENTOS MÁGICOS


A par dos momentos trágicos
Há sempre momentos mágicos
Permeando a natureza.

Nas horas de seus folguedos
Ela inventa seus brinquedos
Tal um bando de crianças.

A brisa, o sol e as ramagens,
Formam, então, mil imagens,
Que deslizam pelo chão.

Dezenas de bolinhas douradas
Rolam aos meus pés e se vão,
Brincam de esconde-esconde,
Fogem não sei pra onde,
E voltam a aparecer.
Sobem nos meus joelhos
Trêfegas e ligeiras
Tornam a fugir de roldão
Retornam às cambulhadas
Voltam a desaparecer.

Florinhas silvestres
Com hastes tão frágeis
Fagueiras balançam
Ao sopro do vento
E aumenta a magia
Daquele momento.











Marina Rezende,
Assim Como o Vinho, 2004.


 * Ilustração floresta tirada da Internet.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

MARINA REZENDE - POESIAS



COMO O VINHO
Eu também sou “como o vinho”
Sou também “coisa de Minas”
Quanto mais o tempo passa
Melhor canto minha terra.
Também sou “canto do cisne”
Que só canta o fim da vida
Deixando pairar no ar
Seu grito de despedida.

NOSSA BÚSSOLA
Quando nos deparamos
Com uma situação difícil
Numa encruzilhada da vida
Tomemos da nossa bússola
Que é a palavra DEVER
Ela nos indicará
O rumo certo a tomar
Foi Deus quem a nos deu
Só nos cabe obedecer.

ARQUIVO
Lá no fundo do meu peito
Há um compartimento
Que eu chamo de “arquivo”.
Lá eu deixo bem guardados
Minhas dores, meus pesares,
E toda infelicidade.
Mas o tempo vai passando
E gota a gota destilando,
Vai prá sempre
Encharcando,
O meu lenço de saudade.











Marina Rezende,
Assim Como O Vinho,  2004.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

ONIPRESENÇA


Marina V F de Rezende e Maria do Carmo Villela Fajardo
outubro 1985

Em tudo há Deus
Nesse mundo:
No céu, no mar
mais profundo.
Num leito de amantes
se amando,
amor puro, sincero,
jurando.

No céu, numa nuvem,
cobrindo
nossa lua, dengosa,
fingindo.
Num ninho de aves
cantando,
seu enleio de amor
sussurrando.

No sol, no horizonte
surgindo,
a todos e a tudo
sorrindo.
Num seio contrito
orando,
a Deus sua vida
ofertando.











Marina Rezende,
Assim Como o Vinho, 2004.